Oito da manhã, metro cheio, paragens de autocarro cheias. Há centenas de pessoas dentro dos transportes públicos mas o barulho característico destes locais não se faz sentir. Sabe qual é uma das grandes razões pela qual isto acontece? Se fizer este exercício na próxima manhã que entrar no metro rapidamente vai perceber.

90% das pessoas entram com a cabeça baixa e o telemóvel nas mãos, fazem a viagem assim e saem do transporte desta mesma maneira. Estamos todos no mesmo sítio mas, na verdade, acabamos todos por estar em sítios diferentes ao mesmo tempo. Não criamos ligações uns com os outros mas estamos permanentemente ligados às variadas aplicações que temos descarregadas no nosso telemóvel. Hoje em dia, utilizamos este dispositivo para fazer praticamente tudo, até as compras de supermercado, e a maioria de nós afirma que já nem consegue viver sem ele.

Não há dúvida de que as redes sociais são hoje um “ponto de encontro” importante para cada um de nós e, acima de tudo, para as marcas que, através delas, podem interagir facilmente e de forma dinâmica com os seus consumidores. As redes sociais transformaram-se num instrumento imprescindível de marketing e de comunicação das marcas, o que faz com que, quem as utilize com este objetivo, esteja diariamente dependente do seu telemóvel. Mas se pararmos para pensar, trabalho à parte, será que não andamos a desperdiçar demasiado tempo agarradas ao telemóvel?

Instagram, Whatsapp, Youtube, Facebook, Spotify, Pinterest, jogos… tudo isto são razões suficientes para estarmos num café e passarmos mais tempo a fazer scrool e a tentar tirar a fotografia que melhor se enquadra no nosso perfil do que a conversar com os nossos amigos. Ficamos até de madrugada deitadas na cama, agarradas a um objeto e a olhar para o seu ecrã. De acordo com o estudo “os portugueses e as redes sociais”, realizado pela Marktest Consulting, cada uma de nós dedica, em média, mais de hora e meia às redes sociais, e este valor é ainda mais alto relativamente aos mais jovens e a nós, mulheres. O serviço de troca de mensagens, o conhecido ‘chat’ é a funcionalidade mais utilizada.

Sabia que a exposição excessiva à radiação causada pelo telemóvel pode provocar cancro, doenças mentais e infertilidade? Os nossos telemóveis funcionam através do envio e receção de sinais das antenas de comunicação. Esses sinais são uma forma de radiação eletromagnética que chega até nós todos os dias sem darmos por ela. A maioria das pessoas adormece com o telemóvel na mesa de cabeceira ou até ao lado da almofada, ou seja, estamos a noite toda a receber estas radiações. Mas aquilo que se torna mais preocupante dentro deste tema é a geração mais nova. A idade média em que uma criança recebe o primeiro telemóvel é aos dez anos. Depois disto, são muitas as horas que passam agarradas a ele, quer seja a jogar ou a ver vídeos no Youtube.

Fora todos os perigos que a Internet lhes pode trazer, o que importa salientar é que o cérebro de uma criança se desenvolve por volta desta idade e pode ser afetado pelo uso do telemóvel.

Agora queremos saber uma coisa: Faz ideia de quanto tempo passa no seu telemóvel? Basta ir às definições (caso tenha um iPhone), clicar onde diz “bateria” e voltar a clicar onde está um ícone de um relógio. Aí vai encontrar o tempo que dedicou a cada aplicação nas últimas 24 horas e vai conseguir perceber também quanto tempo passou no telemóvel.

Para melhorar esta situação, deixamos-lhe três dicas para reduzir o uso do telemóvel: Desligue as notificações, isto vai ajudar a que não esteja constantemente a ir ver o que há de novo; use um despertador real em vez do seu telemóvel, deste modo vai tentar evitar abrir logo todas as redes sociais e ver as novidades assim que acorda; desligue o telemóvel em algumas alturas do dia. 

O mais importante: Não durma com ele por perto, desligue-o ou coloque-o em modo voo.

Vamos aproveitar as coisas boas e reais que esta vida tem para nos oferecer e fazer um esforço para praticar o desapego em relação a este aparelho.